“A outra história americana” é um filme de 1998, do diretor Tony Kaye no qual Derek, um jovem branco (Edward Norton) luta para evitar com que seu irmão mais novo reproduza o mesmo passado de intolerância e violência do qual tenta se livrar. O filme trata do extremismo racial nos EUA. Interessante que, ao mesmo tempo em que aborda a violência, descreve os conflitos internos da família de Derek: desemprego, morte do pai, irmãos e irmãs para cuidar, mãe debilitada.
Até que ponto um lar desestruturado explica ou condiciona os comportamentos na esfera pública (como o comportamento violento)? A questão decerto não é nova, envolvendo desde psicanalistas a sociólogos. Um padrão é pensar que famílias desestruturadas, nas quais incidem pobreza e restrição cultural, são celeiros mais propícios ao cultivo de “indivíduos desviantes”. Porém, vem se tornando comum indivíduos pertencentes a famílias de classe média envolverem-se em cenas de violência pública. No Brasil, nestes últimos dias, isso vem ficando claro.
Na Folha de quinta o psicanalista Contardo Calligaris comenta a recente violência que cinco jovens de classe média cometeram contra uma empregada doméstica (Sirlei Dias de Carvalho Pinto), no Rio de Janeiro. Eles a espancaram porque a confundiram com uma prostituta. Entre outras coisas, Calligaris discute a capacidade de um grupo potencializar a estupidez do indivíduo, favorecendo comportamentos”canalhas” que só precisavam de uma situação favorável para aparecer.